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Magic Crítica  
Outras Críticas
Longa mostra, de forma velada, a homossexualidade em terras portenhas.
por : Daniel Carreira ( daniel.carreira@magicbus.com.br )
em : 00/00/0000
La León

Uma Argentina perdida no tempo, longe de uma metrópole conturbada e cheia de gente. É assim que se apresenta o filme La León (Arg./ Fra-2008). Na história, nos deparamos com uma cidadezinha interiorana onde rios e matas compõem o cenário na vida de Álvaro (protagonizado por Jorge Román), um rapaz de vida humilde, cuja fonte de renda são a pesca e a cana-de-açúcar.

Em meio a uma comunidade pobre e sem estudo nenhum, o ambiente mostrado é sempre com melancolia, tristeza, silêncio e rispidez. Entre os membros, o que mais se destaca é o truculento e provocador El Turu (Daniel Valenzuela), o proprietário de uma embarcação, chamada El León (inspiração para o nome do filme), que liga a pequena ilha, esquecida no tempo, ao continente turbulento.

De personalidade quieta, introspectiva e sem muitos amigos, Álvaro sente o peso de sua escolha ao guardar um desejo velado por outros homens e passa a se tornar um estranho em seu próprio ambiente se fazendo isolado de tudo e de todos.

Nos encontros do vilarejo o pescador sempre cruza olhares com o violento Turu, um homem duro e matuto que resisti aos seus desejos e vê em seu suposto rival uma ameaça aos valores da pequena comunidade e sua vontade reprimida. O conflito entre os dois supostos machos provará que a agressividade de Turu é apenas um modo de esconder sua própria confusão emocional.

Em um mundo selvagem entre rios e riachos a relação dos dois passa a ser de ódio e identificação, ficando cada vez mais conturbada.

O diretor imprime uma história de relações humanas bruta e nada sensível. Um olhar machista se impõe ao decorrer do argumento. O enredo nos dá várias possibilidades, mas todas elas se mostram duvidosas e sempre claras de que algo errado acontece.

Em seu primeiro filme Santiago, que recebeu menção especial no prêmio Teddy (filme em ficção com conotação gay) do Festival de Berlim 2007, soube explorar como ninguém a fotografia das externas, suas tomadas com a câmera sempre parada nos dão enquadramentos que fazem das cenas seus pontos mais fortes. O desenrolar do roteiro fica a desejar, uma história arrastada que em suma tem poucos acontecimentos e o principal deles se finda de forma a se questionar. Um ponto positivo foi optar pelo filme todo em PB, nos dando uma roupagem diferente e explorando muito bem seu cenário em tons de contraponto. As muitas folhas, canas e margens de rios ficaram muito bem em cena.

La León vale para o público que aprecia filmes estrangeiros e dramas lentos. Sua digestão não é fácil e paciência é um dos componentes para seu término.

Se você agora ficou curioso para saber se esse amor é possível, não deixe de perder o filme nas principais salas de cinema, a partir de sexta, 29/08.

Basta agora saber se essa possível relação vai sobreviver nas terras sem fronteiras das regiões mais pobres dos nossos amigos los hermanos.


Ficha Técnica:
Distribuidora: Movie Mobz
Gênero: Drama
Tempo: 85 min.
Roteiro: Santiago Otheguy
Direção: Santiago Otheguy
Elenco: Jorge Román, Daniel Valenzuela, José Munõs, Jimena Cavaco e Ignácio Jimenez

Um picadeiro com animais selvagens
por : Daniel Carreira ( daniel.carreira@magicbus.com.br )
em : 13/08/2008
Um Crime Americano

Quem nunca mentiu na infância que atire a primeira pedra. As irmãs Sylvia e Jennie Likens (Ellen Page e Hayley McFarland, respectivamente) viram de perto esse dito popular quando se envolveram com a nova amiga Paula (Ari Graynor) e sua mãe, Gertrude Baniszwski, vivida por Catherine Keener, no longa Um Crime Americano (An American Crime, EUA, 2008).

Cheia de boas intenções e querendo apaziguar uma briga entre Paula e o namorado, Sylvia comete o erro de confidenciar o maior segredo que a amiga guardava a sete chaves. Com ira nos olhos, Paula, que possui o mesmo gene maldoso da mãe, promete vingança pelo ato impensado que acabara de ser cometido.

As duas irmãs começam suas histórias alegres e felizes ao lado dos pais, brincando em um carrossel ao som de músicas infantis. Esse amor logo se rompe ao entrarem nas vidas da família Baniszwisk. Na temporada na casa das amigas, tudo começa bem. Elas brincam e passeiam com os filhos de Gertrude, uma mulher pobre e batalhadora que faz de tudo para sustentar a todos. O dia a dia se estabelece até surgir o primeiro problema e atos de violência acontecem como se fossem castigos diários. O desentendimento entre a visitante e dócil Sylvia com a filha de Gertrude faz com que a mãe se rebele e deixe uma natureza instável se ruir diante de cenas de horror e crueldade.

Sylvia possui uma personalidade mais corajosa, é forte e inteligente. Já Jennie é doente e frágil e sempre protegida pela irmã mais velha. Ambas sucumbem sempre às ordens duras da manipuladora dona de casa que passa a se desesperar dia após dia pela ausência de dinheiro. Com uma instabilidade emocional mais do que aflorada e a falta do pagamento pela ajuda em olhar as duas meninas, Gertrude chega à beira de um ataque de nervos depois que descobre supostos boatos sobre a filha. Nesse clima de medo, Jennie nunca, em nenhum momento, afronta as ordens que se seguem. Sylvia, por sua vez, a respeita e tenta buscar alegrias em seus dias durante a estadia na casa 3580 em Indianápolis.

A garota passa a ser objeto nas mãos de uma mulher insana e enfurecida, além das muitas crianças e adolescentes que passam pela casa somente para nos mostrar a perversidade que guardam dentro de si, aparentemente dentro dos tais valores sociais que muitos acreditam que existem.

A história é brutal e chocante. Tudo o que e foi relatado é pura verdade. Esse fato ocorreu em 1965 na cidade de Indianápolis, mesmo local de nascimento do diretor do filme, Tommy O’Haver. O episódio, na época, chocou uma nação inteira e despertou o interesse do diretor em passá-lo para ficção. Foram anos de investigação. Tommy apurou muito bem os dados e, entre outras coisas, conseguiu entrevistar uma das muitas crianças que colaboraram para essa tragédia.

O filme nos mostra de forma triste e incômoda a gratuidade de uma violência, a cumplicidade de muitos, cometendo um ato selvagem e achando essa atitude natural, ou mesmo cabível. A atuação de Keenner beira a insanidade com momentos de desespero pelo amanhã duro e duvidoso. Mas é Ellen Page que nos enche os olhos. A garota mais cobiçada pelo mercado americano encarna uma jovem que transmite com olhares os seus sentimentos. Sua ausência em menos de dez minutos de cena já nos faz buscar a garota dentro do enredo. Com presença marcante, ela faz o filme brilhar quando está em ação. Um Crime Americano estréia nos cinemas brasileiros a partir da próxima semana, e nos relata que casos como esse não nos surpreende somente nas telas. O duro é saber que não se trata de um fato isolado. Se ligarmos a TV, veremos cenas de violência como essas fazendo parte dos nossos dias.


Ficha Técnica:
Distribuidora: Califórnia Filmes
Gênero: Drama
Roteiro: Tommy O’Haver, Irene Turner
Direção: Tommy O’Haver
Elenco: Ellen Page, Catherine Keener, Hayley McFarland, Ari Graynor, Nick Searcy, Romy Rosemont

Felicidade só é boa quando compartilhada
por : Daniel Carreira ( daniel.carreira@magicbus.com.br )
em : 29/02/2008
Na Natureza Selvagem

Caminhando, percorrendo, insistindo, conhecendo, amadurecendo, uma bagagem inexplicável na vida do andarilho Christopher McCandless (Emile Hirsch), um jovem recém-formado que abdicou do luxo e ostentação, com um futuro promissor, para embarcar em uma viagem sem rumo por vários lugares dos Estados Unidos. Nessa nova escalada Christopher deixa tudo para trás e se torna Alexander Supertramp, um cidadão comum, literalmente do mundo e disposto a viver na natureza selvagem. Seu novo rumo, a estrada, ela é a sua única parceira e pela qual deseja. Ele anda, conhece o sul dos EUA, vai parar no México, têm problemas com a alfândega, mas não desisti. Em seus olhos é nítido o desejo de liberdade, de não satisfação, de anarquismo, de quebrar regrar e ter de as agüentar.

Nessa viagem de belezas naturais e muito bem capturadas pelos olhos do diretor Seann Penn, Supertramp tem insistentemente em sua cabeça que seu próximo paradeiro será nada menos que o Alaska, um lugar não muito abitual para ele e com um clima para lá de alto. Até sua chegada ao local desejado Supertramp conhece pessoas, é invadido por sentimentos, compartilha muitos deles, aprende, chora, se vê só, se apega a pessoas, pensa, hesita, mas chega ao frio do topo do mundo. Dentre algumas dessas amizades conheceremos o casal que vive viajando, Jan Burres (Catherine Kenner) e seu marido Rainey (Brian Dierker), com estilo hippie os dois se dão muito bem e cruzam o caminho de Tramp por duas vezes. Nas conversas que levam chegam ao ponto da perda, o conflito de um é o não resultado do outro, pedidos são feitos, dúvidas são levantadas e o andarilho continua caminhado. Seu último amigo até seu tão obstinado destino é Ron Franz (Hal Holbrook, indicado ao Oscar a melhor ator coadjuvante), um senhor de idade, viúvo, que perdeu a família de maneira trágica e vê nesse menino com tantos sonhos na cabeça a possibilidade de ter uma nova vida compartilhando elos de amor e afeto.

Um parêntese a se fazer é a atuação de Hal Holbrook, um senhor das telas e dos palcos há muitos anos, ele aparece em pouco mais de trinta minutos de filme, mas sua atuação é inquestionável, de uma sensibilidade primorosa. Em uma de suas últimas cenas no filme é impossível você não segurar o nó que vêm na garganta.

Após a despedida de Ron, Supertramp chega ao local que tanto idealizou em sua mente, Alaska, um local não muito populoso que fará de Christopher McCandless e Alexander Supertramp uma única pessoa.

Quanto à família de Christopher, temos o pai Walt (William Hurt), um cientista não tão cortês e meio durão e uma mãe sofrida que aprova as decisões do patriarca da família, personagem de Marcia Gay Harden (Billie), além do único bem precioso para Chris, sua irmã Carine (Jena Malone), personagem este bem pequeno, mas de fundamental importância para história.

Jena Malone e Emile Hirsch são os dois narradores do início ao fim do longa, duas maneiras de pensar diferentes que são entrepostas com saudosismo e esperança. Os porquês são os levantados durante toda essa viagem e durante toda essa ausência. Temos dois depoimentos, um de uma irmã que queria a companhia, a presença, a risada, todos os valores familiares que são passados de geração em geração, do outro lado um desbravador nato que persiste intensamente na sua liberdade total, sem condicionamentos, mas que aprende também que a solidão é dura o bastante e que um dia a gente sente vontade de voltar para casa e para o colo dos pais. Isso não pode acontecer, o filme baseado em uma história real e na obra de Jon Krakauer, nos mostrou um andarilho que soube e muito aproveitar seus momentos, mas na hora em que a decisão bate já é tarde, mas no meio do frio e da natureza selvagem Chris e Supertramp se tornam um e descobrem que a felicidade só é boa quando compartilhada.

Seann Penn mais uma vez acerta em seu novo longa, um filme sério, poderoso e denso que nos faz refletir cada passo de uma família que poderia ser a nossa.

Christopher Supertramp ou Alexander McCandless, 1968 - 1992 !!!


Ficha Técnica:
Distribuidora: Paramount Pictures
Gênero: Drama
Tempo: 145 min.
Roteiro: Sean Penn
Direção: Sean Penn
Elenco: Emile Hisch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Catherine Keener, Brian Dierker, Vince Vaughn, Zach Galifianakis e Hal Holbrook.

Os muitos olhos de São Paulo
por : Daniel Carreira ( daniel.carreira@magicbus.com.br )
em : 13/08/2008
O Signo da Cidade

Uma grande metrópole, milhões de habitantes, uma cidade que não dorme e em cada janela dos muitos e muitos lares uma história de vida a ser contada, essa é a idéia inicial do roteiro de Bruna Lombardi, em seu novo longa onde também é a protagonista, O Signo da Cidade (Brasil, 2008).

A maior cidade do país passa a ser palco de uma trama multifacetada com inúmeras histórias e personagens que irão conhecer seus momentos de encontros e desencontros, conflitos, anseios e principalmente o resultado final de várias ações intempestivas que culminam na tentativa de perdão e redenção para uma vida mais simples e solidária.

Bruna vive Teca, uma astróloga que mantém um programa de rádio para ouvintes necessitados por auto-ajuda ou mesmo desabafo. Ela passa a ser o elo de ligação entre todos os demais.

Nessa cidade multicultural com uma gama de possibilidades e diversidades sociais iremos conhecer histórias humanas aparentemente desconexas que entre acasos se interligam nos diversos personagens que são retratados, como um golpista que só pensa em se dar bem, um enfermeiro mais conhecido como herói humano, jovens deslumbrados pela fama, um homem a bera da morte, uma criança que nasce e uma mulher sem muita ética. Todos esses conflitos se enredam em uma engenhosa trama que resultam na tentativa de novas descobertas ou mesmo de reescrever seu destino.

Com direção de Carlos Alberto Riccelli, seu segundo longa, o primeiro brasileiro, o filme mostra uma cidade explorada visualmente e sendo parte presente da história o tempo inteiro. Riccelli nos dá uma realidade dura, sem luxo. Pontos como Augusta, Centro e Paulista são ambientados para retratar o caos, a individualidade, violência e insegurança das pessoas no meio dessa selva de pedras. Para compor essas cenas ele conta com uma boa trilha sonora ao som de Caetano e Bethânia. Uma bela cena a ser citada é o momento que um dos personagens se deita no jardim ao lado da Avenida 23 de Maio e se vê completamente só. Nesta hora temos duas realidades distintas muito bem exploradas e enquadradas ao som de uma bela canção. Outro item muito bom do filme, além do abuso preciso das imagens de São Paulo, foram as tomadas que Riccelli impôs para delatar a rotina de nosso dia a dia.

O filme tem em seu desenvolvimento uma teia de histórias e personagens, outro ponto positivo, assuntos como juventude rebelde e suicida, homossexualismo, aborto, traição, drogas, perdão e religião são postos em pauta e se entrelaçam na vida de todos eles afim de compreensão. Bruna Lombardi se supera no desenrolar destas histórias, seu roteiro é bom e os diálogos impostos são muito bem conduzidos, com cenas ágeis e curtas, fazendo um se atirar na direção dos outros.

O Signo da Cidade nos conta a história de pessoas, poderia ser a minha, a sua ou de todos nós, problemas e conflitos que surgem e nos fazem refletir quanto aos nossos atos. Cabe neste momento uma frase já bem clichê que se encaixa perfeitamente nesta situação. O meio definitivamente faz o homem!!!!!

O longa produzido em família com direção de Riccelli, roteiro de Bruna e co-direção e atuação de Kim Riccelli, nos fala intrinsecamente de relações humanas. Esta produção madura e original que nos remete pela semelhança do argumento a Crash, no Limite (Crash, ), conta com um ótimo desempenho de todos os coadjuvantes que se fazem essenciais e principais pelo desenrolar e pela maneira como seus personagens crescem em cena, bem estilo Altman.

Possibilidades, esperança e solidariedade fazem de todos os personagens suas buscas ao longo dos minutos de filme, compartilhado a isso, lindas seqüências que nos levam a comoção.

O segundo longa do casal, O Signo da Cidade, entra em cartaz no aniversário de São Paulo, 25 de Janeiro, e para presente de todos os moradores das muitas janelas de nossa cidade, o custo do filme sai por apenas um real, então definitivamente não percam a sessão e bom filme.


Ficha Técnica:
Distribuidora: Europa Filmes
Gênero: Drama
Direção: Carlos Alberto Riccelli
Roteiro: Bruna Lombardi
Elenco: Bruna Lombardi, Juca de Oliveira, Eva Wilma, Malvino Salvador, Denise Fraga, Luís Miranda, Graziella Moretto, Fernando Alves Pinto, Kim Riccelli, Laís Marques, Bethito Tavares, Sidney Santiago, Thiago Pinheiro, Ana Rosa, Cristina Mutarelli

O Suspeito: a herança americana do onze de setembro
por : Tuna Dwek ( tuna.dwek@magicbus.com.br )
em : 13/08/2008
O Suspeito

Se alguma herança existe deixada pelo trágico episódio do atentado às Torres Gêmeas de Nova York em 11 de setembro de 2001, esta é certamente a do medo. Ainda que se extraia a descrição de atos heróicos e comoventes lições de solidariedade, é notório que diante do medo a contundência dos relatos se tenha diluído. Pois é este medo transformado em paranóia que o filme do sul-africano Gavin Hood transforma em protagonista, sendo que a tortura como meio de obtenção de informações é a grande aliada dos serviços de Inteligência, tanto americano quanto egípcio. Inicialmente paralisante, é o sentimento que mais tem justificado ações radicais sob a forma de guerras e outras invasões. Desde à privacidade dos cidadãos até a de territórios distantes.

Um atentado terrorista em solo egípcio matando um agente do serviço secreto americano inicia uma sucessão de equívocos e reações em cadeia que podem culminar em um número maior de mortes e de vítimas inocentes de um sistema carcerário desprovido de qualquer vestígio de humanidade. Em O Suspeito (Rendition, 2007), a lei de Rendição Extraordinária (lei de exceção em que se autoriza a extradição de um suspeito para que seja interrogado em seu país natal) garante ao egípcio Anwar El Ibrahimi o pior pesadelo de sua existência. O fato de ser egípcio já o transforma em suspeito sem direito a defesa.

Para os agentes de Inteligência dos Estados Unidos, encabeçados por uma fria, impessoal e insensível Corinne Whitman, a impecável Meryl Streep, em meticulosa composição da implacabilidade, quem senão um árabe, ainda que cidadão americano legitimado pelo green card, poderia ser o autor do atentado? Assim, ao decretar a ordem de seu seqüestro e deportação no aeroporto de Washington, inicia o tortuoso caminho de como se obtém uma confissão por inverossímil que seja, de um cidadão trabalhador, pai de família e avesso a toda espécie de violência.

O agente Douglas Freeman, Jake Gylenhaal em interpretação madura, traduz inicialmente sua cumplicidade e desejo de vingança pela morte de seu parceiro morto, deixando-se permear ora pela crueldade do torturador egípcio, ora por suas próprias duvidas em relação aos métodos adotados, com o aval de seu Governo.

Do outro lado da África do Norte, em Washington, Isabella Fields El-Ibrahimi, mulher de El-Ibrahimi (Reese Whiterspoon Oscar por Johnny and June (Walk the Line, 2005) cidadã americana, mãe de um garoto que idolatra o pai, se desespera em busca de respostas para o desaparecimento do marido. Com as portas fechadas e justificativas evasivas, ela inicia sua peregrinação por advogados, políticos na contramão do vitimismo.

Simultaneamente às investigações e aos interrogatórios com cenas de perturbadora violência explícita, desenrola-se a relação amorosa e nem sempre transparente entre um fundamentalista e uma jovem egípcia, não por acaso filha do investigador e torturador. Em atmosfera de suspense permanente, o espectador encontra o desconforto em que se encontra o mundo atual em que não se sabe mais em quem confiar, em que há que se combater qualquer tipo de preconceito e o olhar estreito sobre culturas que tanto diferem dos modelos ocidentais.

Até que ponto a resistência humana à tortura física e mental pode ser garantida? Não há legitimação possível para a sordidez em nome da chamada Segurança Nacional. O filme aborda não somente a questão ética e moral como a abrangência dos sentimentos mais desestabilizadores gerados pelos atentados de 11 de setembro. Inesquecíveis, irreversivelmente gravados nas retinas da História.

Um filme envolvente, palpitante em que o que se torna mais chocante é o fato de tratar-se de um roteiro baseado em fatos reais, fatos estes cada vez mais constantes na história política recente do século 21.


Ficha Técnica:
Distribuidora: PlayArte
Gênero: Drama
Diretor: Gavin Hood
Roteiro: Kelley Sane
Elenco: Reese Witherspoon, Jake Gyllenhaal, Alan Arkin, Peter Saarsgard, Meryl Streep

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atualizado em : 28/08/2008 as 03:19:13
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